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Doença de Sanfilippo (MPS III)

Por Débora Carvalho Meldau

A síndrome de Sanfilippo trata-se de uma desordem metabólica, de caráter genético, autossômica recessiva, caracterizada pela ausência dos mucopolissacarídeos III, que são responsáveis pela quebra das longas cadeias de glicosaminoglicanos (GAGs).

Faz parte de um grupo de doenças chamadas da mucopolissacaridoses (MPS). Especificamente, é chamada de MPS III (III-A, III-B, III-C e III-D). Recebe o nome de síndrome de Sanfilippo em homenagem ao médico que relatou pela primeira vez alguns casos da doença no ano de 1963, o Dr. Sylvester Sanfilippo.

Esta moléstia ocorre quando há a ausência ou defeito das enzimas necessárias na quebra e reciclagem de um dos GAGs encontrados no organismo, o heparan sulfato. Quando não ocorre a quebra total deste GAG, há um acúmulo do mesmo no interior das células do corpo, ocasionando dano progressivo. Tipicamente, as manifestações clínicas surgem entre os 2 aos 6 anos de idade.

Existem quatro tipos distintos desta síndrome:

•Tipo A (MPS III-A): forma mais grave. Neste caso, os portadores desta síndrome apresentam uma forma alterada ou não apresentam a chamada heparan-N-sulfatase.
•Tipo B (MPS III-B): ocorre quando a enzima deficiente é a denominada alfa-N-acetilglucosaminidase.
•Tipo C (MPS III-C): neste caso, a enzima deficiente é a chamada de acetil-CoA-alfa-glucosamina acetiltransferase.
•Tipo D (MPS III-D): a enzima que se encontra deficiente é a N-acetilglicosamina 6-sulfatase.
Deste modo, cada indivíduo com MPS III apresenta um tipo específico da mesma: A, B, C ou D, sendo que a determinação do tipo deve ser feita por meio de testes bioquímicos.

Pesquisas realizadas na Holanda evidenciam que a incidência desta doença gira em torno de 1 a cada 70.000 nascidos vivos, sendo o tipo A o mais comum no noroeste europeu, o tipo B, no sudeste da Europa, e os tipos C e D raros em todos os lugares. Já no Brasil, aparentemente há um subdiagnóstico das MPS III em relação às outras MPS, uma vez que na primeira o envolvimento é predominantemente neurológico, enquanto que no restante, é predominantemente físico.

Uma vez que todos os quatro tipos de MPS III acumulam o mesmo GAG, o heparan sulfato, quase não há diferença clínica entre eles. De forma semelhante a outras MPS, também há a presença de alterações físicas, porém mais brandas. Esta síndrome ocasiona características faciais levemente alteradas, retardo no desenvolvimento metal que evolui para retardo mental severo, alterações de marcha e de fala, enrijecimento articular e alterações comportamentais.

Outras manifestações clínicas que podem ser observadas na síndrome de Sanfilippo são: frequente infecção das vias aéreas, coriza crônica, dentes cariados, apnéia do sono, macroglossia, mãos e pés frios, hepatoesplenomegalia, linfadenomegalia, alterações do trânsito intestinal, convulsões, hidrocefalia e hipoacusia.

O diagnóstico pode ser feito através do quadro e histórico clínico apresentados pela criança, sendo confirmado por meio de ensaios dos níveis de enzimas em amostras de tecido e seqüenciamento genético. Também existe a possibilidade de realizar diagnóstico pré-natal, quando já se tem um filho com a MPS III. Para tal é necessário saber qual o tipo de MPS III do filho afetado, pois, para cada tipo de MPS III, há um teste diagnóstico distinto, e todos os irmãos portadores da MPS III apresentarão o mesmo tipo da doença.

O tratamento, em grande parte, é suporte, uma vez que os distúrbios de comportamento causado pela síndrome não respondem bem aos fármacos. Quando o diagnóstico é precoce, o transplante de medula óssea pode apresentar resultados positivos. Apesar de ser possível sintetizar a enzima deficiente em laboratório e administrá-la por via endovenosa, esta não consegue transpor a barreira hemato-encefálica e, deste modo, não há como tratar as manifestações neurológicas da síndrome. Contudo, muitos estudos estão sendo desenvolvidos na busca de uma solução eficaz para a síndrome de Sanfilippo.

Fontes:
http://www6.ufrgs.br/redempsbrasil/sobre/CartilhaMPSIII.pdf
http://idmed.uol.com.br/indice-de-doencas-e-condicoes/sindrome-de-sanfilippo.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Sanfilippo_syndrome
http://www.umm.edu/ency/article/001210.htm

 

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